5.4.14

SENHOR DOS PASSOS 2014

Senhor dos Passos resguardado na Matriz

Porque a tarde de 29 de março, quarto domingo da Quaresma, se apresentou incerta, não pôde sair à rua a Procissão do Senhor dos Passos, organizada pela respetiva Irmandade, que vem do séc. XVII. (Há um livro de Eleições da Mesa de 1686 e outro livro que aponta a data de 1582 para início da Irmandade sob a proteção dos Condes da Feira).
Andor do Senhor dos Passos, Ovar
FOTO: Fernando Pinto
Na Igreja Matriz tiveram início, às 15 horas, as cerimónias litúrgicas, presididas pelo Pároco, tendo o Diácono António Poças feito uma reflexão sobre um texto bíblico relacionado com a Paixão de Cristo. Colaborou neste ato religioso o Grupo Sacro do Orfeão de Ovar, que entoou os cânticos habituais “Miserere” e “Bajulans sibi crucem”. Apesar de o cortejo não ter saído para a rua devido às condições meteorológicas, os fiéis resguardaram-se no interior do templo, tendo oportunidade de viverem o ritual religioso e de manifestarem a sua fé e devoção perante as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores. Marcaram presença na Matriz diversos autarcas e individualidades vareiras, bem como associações religiosas locais. As sete Capelas dos Passos, consideradas Património de Interesse Público, e que carecem de restauro, encontravam-se devidamente enfeitadas, graças aos cuidados das respetivas zeladoras, algumas das quais seguindo o empenho e dedicação de seus antepassados.

P. B.


12.3.13

SENHOR DOS PASSOS 2013


Andor do Senhor dos Passos
FOTO: Fernando Pinto
Dada a incerteza do tempo, não saiu à rua, na tarde do passado dia 10 de março, a Procissão dos Passos, que desde há quatro séculos percorre, no quarto domingo da Quaresma, as principais artérias de Ovar, com pa­ragem nas monumentais Capelas dedicadas a episódios dolorosos vividos por Cristo no caminho para o Calvário.
Na hora de decidir sobre a saída da Procissão o céu apresentava-se tol­dado de nuvens negras e um pequeno aguaceiro levou as pessoas a reco­lherem-se no átrio da Igreja. Os milhares de ovarenses e de visitantes que se deslocaram à cidade para assistirem ao cortejo religioso puderam, no entanto, e apesar do seu desconsolo, admirar, na Igreja Matriz, as imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora da Soledade, esta adornada com o seu belíssimo manto, recentemente restaurado pelas monjas carmelitas de Bande, Paços de Ferreira.
A celebração abriu, na Matriz, com o cântico do “Miserere”, entoado pelo Coro Sacro do Orfeão de Ovar junto da Capela do Pretório, a primei­ra das sete capelas dos Passos.
Após algumas palavras introdutórias do Pároco, Manuel Pires Bastos, e da leitura da passagem do Evangelho relativa à última Ceia de Cristo, tomou a palavra o Pároco de Silvalde, Padre Manuel António Alves da Silva, que, abordando, no seu sermão, mensagens de Bento XVI, dissertou sobre passagens da vida de Jesus, particularmente relacionadas com mo­mentos vividos com sua Mãe, e referiu, atualizando-a, a parábola do Filho Pródigo, texto que fazia parte das leituras da Missa daquele domingo.


Andor de Nossa Senhora da Soledade
FOTO: Fernando Pinto


Os sermões que, quan­do acontece a Procissão, são pronunciados nas Capelas do Encontro e do Calvário, rela­cionados com a Paixão, Morte e Ressureição de Cristo, fo­ram o fecho condigno desta celebração na Igreja Matriz, em que participaram não só os fiéis e associações católicas, como os Presidentes da Câ­mara e da Assembleia Munici­pal, o Presidente da Junta de Freguesia de Ovar, e representantes dos Bombeiros e de outras instituições locais.
A todos o Pároco agradeceu, englobando a Banda Filarmónica Ovarense e todos os que se empenharam por participar nestas manifestações de fé.


Fotos: Fernando Pinto

20.3.12

SENHOR DOS PASSOS 2012

Procissão do Senhor dos Passos
Com milhares de participantes e assistentes a devoção cumpriu-se

No passado Domingo a Procissão do Senhor dos Passos saiu às ruas do Centro da Cidade de Ovar. Antes houve uma Celebração da Palavra de Deus, na qual o Padre Passionista, Caridade Pires fez uma pregação focalizada na missão de todo o cristão, dizendo que é necessário viver a nossa vida como quem vive em missão, afirmando que a cada um de nós Deus entregou uma missão que tem a ver com a construção do Seu Reino aqui na terra.


No final da Celebração da Palavra e como é costume, frente à primeira das 7 Capelas dos Passos, a Capela do Pretório, o Coro Sacro do Orfeão de Ovar cantou o Miserere mei, Deus.
Como é costume, esta Procissão no seu início começa com duas Procissões. A primeira sai com a imagem do Senhor dos Passos pela Rua Elias Garcia em direção à Capela do Passo do Horto, frente ao Tribunal. A segunda sai com a imagem de Nossa Senhora das Dores que pela Avenida Ferreira de Castro segue em direção à Capela do Passo do Encontro, sita na Rua Alexandre Herculano.

A caminho do 2.º Passo (Queda)
O andor do Senhor dos Passos chegando ao Passo da Queda (antigo Horto)
Andor de N.ª Sr.ª das Dores a caminho do Passo do Encontro
Depois de juntas as duas imagens no Passo do Encontro, o Pároco de Ovar fez uma pregação, na qual lembrou o historial das Capelas dos Passos, frisando que no campo artístico e arquitectónico, e no que diz respeito ao tema da Paixão, há que destacar, em Ovar, as 7 Capelas dos Passos, obras classificadas como de interesse patrimonial nacional, que datam dos meados do século XVIII, consideradas, no seu género, as mais monumentais do País. Nesta pregação o P.e Manuel Pires Bastos salientou o encontro de Jesus com Sua Mãe, como grande prova de amor, e aproveitou para lembrar que “se odeias o teu irmão não amas o Senhor”, acrescentando que o choro de Maria é um choro sem lágrimas.

No Passo do Encontro
Ela sente o sofrimento do Seu Filho mas é capaz de reprimir essas lágrimas. Mesmo agora ela vê-nos nas injustiças da hora presente e chora sem lágrimas, acrescentando que Maria está no coração de todos os injustiçados.
Terminada esta pregação a Procissão continuou, mas agora com as duas imagens, prosseguindo o chamado Percurso Turístico das Capelas dos Passos. A Capela seguinte era a do Passo do Cireneu, que fica na Rua Cândido dos Reis. Nesta Capela vê-se a passagem da Via Sacra em que refere Simão, um homem forte, vigoroso, um valente lavrador natural de Cirene, que regressava do campo. Pediram-lhe ou ordenaram-lhe para ajudar Jesus a levar e sua cruz. Não por compaixão mas para que o condenado pudesse chegar com vida ao Calvário.

No Passo da Verónica
De seguida foi a paragem na Capela da Verónica, situada na Praça da República, que simboliza a cena em que Verónica enxuga o rosto do Senhor. Enquanto o cortejo passava entre a multidão de curiosos, de indiferentes e de poucos amigos, uma mulherzinha do povo, movida de compaixão, aproximou-se de Jesus e pediu-lhe licença para limpar o seu rosto ensanguentado.
Alguns terão achado menos oportuno esse gesto de piedade, outros terão admirado a coragem e o amor desta mulher do povo. Como é tradição, aqui Clara Maia cantou o cântico da Verónica.
A Capela seguinte a ser visitada pelas imagens e todo o povo participante foi a Capela das Filhas de Jerusalém, que fica situada na Praça Afonso Albuquerque, na qual se vê a cena em que piedosas mulheres choram por Jesus. Ao ver o Senhor em tão lastimoso estado, na subida do Calvário, um grupo de mulheres de Jerusalém não foi capaz de esconder a emoção e chorou por Ele. Fitando-as com muita ternura e compaixão, Jesus disse-lhes: Não choreis por mim, mas por vós e pelos vossos filhos.
Terminadas estas paragens nas cinco Capelas dos Passos situadas no Centro Histórico de Ovar, a Procissão seguiu para a Capela do Calvário, onde lá o pregador Passionista P.e Caridade Pires proferiu um Sermão adequado àquele momento final da Paixão de Cristo, e a Clara Maia cantou novamente o cântico da Verónica. (Quem quiser ouvir este cântico, pode visitar o Blogue da Paróquia de Ovar e lá encontra um Vídeo do Jornalista Fernando Pinto).
No final e na Igreja Matriz o Pároco agradeceu a todos que participaram na Procissão e às pessoas envolvidas na organização da mesma, assim como às senhoras que arranjam os andores, e às zeladoras das Capelas dos Passos.
Participaram nesta Procissão um grupo de cerca de 50 pessoas, paroquianos da Paróquia do Santíssimo Sacramento, no Porto acompanhados pelo respectivo Pároco, P.e José Soares Jorge, natural de Arada, a Irmandade do Senhor dos Passos de Ovar, as Irmandades do Santíssimo Sacramento das Paróquias de Ovar, Válega e S. João de Ovar, o Agrupamento de Escuteiros de Ovar, o Presidente dos Bombeiros Voluntários, Dinocrato Costa, o Presidente da Junta de Freguesia de Ovar, Joaquim Barbosa, o Presidente da Assembleia Municipal, Manuel Malícia e o Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Manuel Alves Oliveira. Atrás do Pálio, a Banda Filarmónica Ovarense (Música Velha) seguida de muito povo crente nesta devoção ao Senhor dos Passos. TEXTO E FOTOS: António Mendes Pinto ("Praça Pública", 21 de março de 2012)


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6.4.11

SENHOR DOS PASSOS 2011

Passos atentos aos ventos de mudança


As imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores percorreram, no último Domingo, como vem acontecendo há cerca de quatro séculos, as ruas mais centrais de Ovar, povoadas de artísticas capelas votivas, num percurso a que a fé do povo vareiro atribuiu o nome de rua da amargura. Por essas ruas passou, uma vez mais, e como sempre no 4.º Domingo da Quaresma, a figura de Cristo carregando a Cruz, num cortejo religioso promovido pela Irmandade dos Passos, com o auxílio da Ordem Terceira de S. Francisco e de dedicadas senhoras que zelam as sete capelas, consideradas Património de Interesse Público. 


As cerimónias de 3 de Abril, presididas pelo Pároco, tiveram como orador Frei Marcos (na foto), da Ordem de S. Domingos, que proferiu três excelentes meditações, correspondendo, respectivamente, à Prisão e Julgamento de Jesus (Passo do Pretório, na Matriz), ao Encontro de Maria com seu filho (Passo do Encontro) e à agonia e morte de Jesus (Calvário).
Participaram na Procissão, contribuindo para o seu brilho, além da Irmandade Promotora, os Presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal, da Junta de Freguesia e dos Bombeiros, a Banda Filarmónica, elementos de Irmandades de S. João de Ovar, Válega, Ovar e Arada, os Escuteiros, bem como diversas crianças, e a figura da Verónica, interpretada pela primeira vez por Dolorosa Maia, que a transmitiu nos anos seguintes, às suas filhas, numa sucessão familiar que vem de quase um século.
Trata-se de uma bela melodia atribuída ao maestro Valério, antigo regente da Filarmónica Ovarense, e ensaiada pelo maestro vareiro António da Silva Roma Capôto, e que tem o seguinte texto. O vos omnes qui transitis per viam atendite et videte si est dolor sicut dolor meus (Todos vós, que passais pelo caminho, parai e vede se há dor igual à minha).


Coro Sacro do Orfeão de Ovar junto ao Passo do Pretório, entoando o motete
"Bajulans sibi crucem" (Tomando a Cruz, levou-a até ao lugar do Calvário)



O Pendão no início do Cortejo, dando razão ao dito popular: "Ande o vento
por onde andar, nos Passos anda em Ovar"


Saída do andor do Senhor dos Passos






Andor de Nossa Senhora das Dores, a caminho do Passo do Encontro




Passo do Encontro, uma das 7 capelas dos Passos de Ovar





A bicentenária Banda Filarmónica Ovarense


Na Capela do Calvário


Clero, acólitos e Irmandade durante as Cerimónias dos Passos
 na Igreja Matriz de Ovar

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A REPORTAGEM FOTOGRÁFICA COMPLETA
(40 fotos)

TEXTO: Padre Manuel Pires Bastos/jornal "João Semana" (15/4/2011) - FOTOS de Manuel Vitoriano, Fernando Pinto, António Mendes Pinto, Maria Alice (Estúdio Nobre) e Vítor Vaz.

14.3.10

SENHOR DOS PASSOS - 2010

Passos de Ovar e os "calvários" de hoje


A manhã serena e cálida fazia prever uma tarde tranquila, pré-primaveril. Assim veio a acontecer, com o senão da presença, já proverbial nos dias dos Passos, de um vento suave mas persistente.
Os forasteiros foram chegando, juntando-se aos devotos vareiros que rumavam em direcção à Igreja, para o primeiro sermão da tarde.
Na Matriz, regurgitando de fiéis, destacavam-se, em pequenos grupos, as autoridades cívicas locais – os Presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal e o Presidente da Junta –, as Confrarias dos Passos de Ovar e de Válega, as Irmandades do Santíssimo de S. Cristóvão e de S. João e a da Santa Casa da Misericórdia, a Direcção Nacional das Ordens Terceiras Franciscanas (com representantes de Barcelos, Algarve, Lisboa e Ovar), e o Agrupamento de Escuteiros.


Presidiu às cerimónias o Pároco local, Padre Manuel Pires Bastos, acompanhado pelo Vigário da Vara e Pároco de S. Vicente de Pereira e de S. João de Ovar , P.e Augusto Silva, bem como pelo Diácono António Poças, que proferiu os três sermões tradicionais – do Pretório, do Encontro e do Calvário.
Partindo de um trecho da carta de S. Paulo aos Romanos, em que se fala do amor misericordioso que Deus quis partilhar com os homens através da missão redentora de Jesus Cristo, injustamente condenado à morte, e citando o testemunho de Maria, sua Mãe, que o acompanhou no caminho doloroso do Calvário, o orador procurou confrontar-se e confrontar os ouvintes com os grandes dramas do tempo actual, em que há vítimas inocentes, para quem tarda uma resposta reparadora da justiça dos homens.


“Para que esta Justiça se realize, Cristo quer que os discípulos desta hora confirmem com a fé e com as obras a validade e actualidade do Seu Sacrifício Redentor. Isso, caros amigos e irmãos, é tarefa indeclinável de cada um de nós. Não se espera outra coisa dos discípulos!”, concluiu o Diácono Poças.

Andor de Nossa Senhora das Dores
Para além da incorporação das diversas Confrarias e de outros participantes com as respectivas insígnias, do Orfeão de Ovar e da “Verónica” Clara Maia, tomou parte, no préstito religioso, após os elementos da Banda Ovarense, um grande número de fiéis.
Refira-se o excelente apoio dado à Irmandade dos Passos pelos responsáveis da Ordem Terceira de S. Francisco na montagem dos andores e na organização da Procissão, bem como o bom gosto dos enfeites por parte das zeladoras, que se vão mantendo, ao longo dos anos, nas respectivas capelas, quase sempre em cadeia geracional. TEXTO: Padre Manuel Pires Bastos, jornal "João Semana" (15/03/2010) - FOTOS do jornalista Fernando Pinto e de Vítor Vaz.


PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS
A Paixão de Cristo no nosso tempo

Na radiosa tarde do passado Domingo, saiu para as ruas da Cidade de Ovar a Procissão do Senhor dos Passos, repetindo-se a alusão do Pe. Manuel Lírio – Subsídios para a história de Ovar: Passos. Ovar: Imprensa Pátria, 1922, p.38.
"Nestas cercanias de algumas léguas não se fazia coisa egual. A concorrência de forasteiros foi sempre notavel e por toda a parte se espalhou a fama de grandiosa, desta festividade.
O préstito era majestoso, na verdade. Encorporava-se nêle tudo o que de mais distincto havia na vila."



Este ano a pregação dos habituais três Sermões, na Igreja, no Passo do Encontro e na Capela do Calvário, esteve a cargo do Diácono António Poças, que no seu estilo contundente nas mensagens traduzidas de um Evangelho sem subterfúgios, foi oportuno.
Na Igreja fez referência à realidade de haver muitos cristãos que continuam a fugir perante a exigência da fé. No Sermão junto à Capela do Passo do Encontro fez a ligação da Paixão de Cristo com os atentados mais mesquinhos à pessoa humana e lembrou que Jesus foi condenado por falar verdade e amar os oprimidos. Este orador, perante as milhares de pessoas concentradas ali ao redor das Imagens do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores, pelas suas palavras parece ter pretendido dar a entender que o sofrimento de Cristo foi por causas remotas, causas actuais e por causas futuras. Este Diácono, que fala e escreve em estilo terra a terra, fez a “ponte” entre Jesus e os que clamam por justiça sem a ela terem acesso, os desempregados, as crianças vítimas de violações, os jovens, as vítimas da corrupção e dos governos, das pessoas ricas que gastam fortunas enquanto tantos passam mal.


Na Capela do Calvário, o Diácono António Poças falou aos sacerdotes e leigos apelando para que a Jesus se retribua pelo seu sofrimento, com amor aos outros, a sua entrega pelos homens, sendo Cristo a nossa Páscoa. E como Ele disse: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Se vos amardes o mundo há-de reconhecer que sois meus discípulos.
Finalizado o terceiro Sermão desta Procissão, Clara Maia repetiu o cântico da “Verónica” que cantou junto da Capela do Passo situado na Praça da República.
A Imagem da Senhora das Dores ficou na Capela do Calvário e a do Senhor dos Passos regressou em Procissão para a Igreja Matriz. No Pálio da Procissão iam o Pároco de Ovar e o Vigário da Vara de Espinho/Ovar, Padre Augusto Silva.


Participaram na Procissão o Presidente da Câmara Municipal, Manuel Oliveira, o Presidente da Assembleia Municipal, Manuel Malícia, o Presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Barbosa, a Irmandade dos Passos de Ovar, e a de Válega, a Confraria do Santíssimo de S. João e a de Ovar, e também a Confraria do Calvário de Arada e a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Ovar.
O Grupo Sacro do Orfeão de Ovar cantou na Igreja Matriz, nas cinco Capelas dos Passos e na Capela do Calvário, contribuindo, como sempre, na arte do canto, para uma solenidade própria para esta festividade.
Também a Banda Filarmónica Ovarense, como é costume, deu o seu brilho musical neste préstito tão majestoso. TEXTO E FOTOS: António Mendes Pinto ("Praça Pública", 16/03/2010)

SENHOR DOS PASSOS EM OVAR
Encontro da fé com a arte

Um pouco por todo o país, com maior incidência no Norte, realiza-se por esta altura a tradicional procissão do Senhor dos Passos. Como esta devoção, em terras vareiras, remonta ao século XV, e ainda hoje a sua expressão artística é admirada, a Câmara Municipal, em articulação com a Paróquia de Ovar, a Ordem Terceira de S. Francisco e a Irmandade dos Passos vão oferecer, a partir do dia 16 de Abril, percursos turísticos às Capelas dos Passos, consideradas desde 1949, “Património de Interesse Público”. As visitas, de manhã e de tarde, começam na Igreja Matriz, terminando na Casa-Museu da Ordem Terceira.

Capelas dos Passos
Estas capelas de pedra e cal, como lembra o P.e Manuel Lírio na sua obra “Os Passos” foram começadas a construir em 1748 e estavam prontas de trolharia e talha em 1755.
O Passo do Pretório, a primeira das sete capelas, situa-se na Igreja Matriz; o do Senhor caído por terra, no largo do Palácio da Justiça; o do Encontro, na rua Alexandre Herculano; o do Cireneu no Largo do Cruzeiro, na rua Dr. José Falcão; o da Verónica, na praça do Município; o das Filhas de Jerusalém, no largo Mouzinho de Albuquerque (antigo Largo de S. Thomé); e o do Calvário, que se encontra na grande capela com o mesmo nome, pode ser visitado no actual Largo dos Combatentes.
Este património vareiro, que tem sofrido alguns restauros ao longo dos anos, necessita de ser valorizado e partilhado, para que não caia no esquecimento, pois, para o Mestre Teixeira Lopes, a escultura do Cristo mais bela da Península Ibérica encontra-se na capela final, a do Calvário. Também A. Nogueira Gonçalves, no seu “Inventário Artístico de Portugal” (1981), comunga de opinião semelhante, afirmando que no conjunto escultórico do Calvário, “destaca-se a figura de Cristo-crucificado. Sendo a espécie de imaginária que o artífice mais frequentemente produzira, conseguiu aqui, posto que sempre dentro do seu nível, uma obra de notar: corpo dramaticamente movido, músculos fortemente acentuados, volumes dispostos mais por instinto que por conhecimento deles, a vincar o conteúdo trágico da representação.”

Irmandade dos Passos
Alberto Sousa Lamy, na sua “Monografia de Ovar”, diz-nos que a Irmandade dos Passos é a mais antiga e a mais importante irmandade de Ovar, tendo sido fundada “com toda a certeza, antes de 1646, ano em que uma bula do papa Jerónimo X, de 23 de Novembro, lhe concedeu várias indulgências.”
Actualmente, a mesa da Irmandade, em reorganização, aguarda que os católicos de Ovar participem mais activamente na suas iniciativas e na defesa do seu património. Os ovarenses, para além do Carnaval, do pão-de-ló, dos azulejos e do Cantar os Reis têm outros tesouros escondidos no seu concelho: os Passos são sete dessas maravilhas a (re)visitar, para que todos possam escutar essa espécie de “diálogo entre a Fé e a Arte”, como escreveu o P.e Manuel Pires Bastos na revista “Reis 1999”, cuja leitura aconselhamos vivamente.TEXTO E FOTOS: Fernando Pinto, jornal "João Semana" (15 de Março de 2010)

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4.2.10

SENHOR DOS PASSOS - 2009

Ovar celebrou os Passos do Senhor

Foi excepcionalmente concorrida a Procissão dos Passos, que saiu na tarde do Domingo passado, 4.º Domingo da Quaresma e segundo dia desta solarenga Primavera, convidativa a um desabrochar de vida nova e a um mergulho no mistério pascal que se aproxima.
Para o acrescentado interesse por esta celebração religiosa, tal como acontecera quinze dias antes com a Procissão dos Terceiros, muito contribuiu o empenhamento de alguns cidadãos da velha guarda que, prezando as tradições e os valores patrimoniais de Ovar, e em articulação com a Paróquia, a Ordem Terceira de S. Francisco, a Irmandade dos Passos e o Departamento da Cultura do Município, sensibilizaram os católicos de diversos grupos associativos locais para a sua participação activa nestas manifestações públicas, no que foram prontamente atendidos.
Assim, além das Confrarias do Santíssimo de S. Cristóvão e de S. João de Ovar, das Irmandades dos Passos de Ovar e de Válega, da Santa Casa da Misericórdia, e dos Escuteiro, estiveram presentes representantes de grupos associativos de Arada, de Ovar e de S. João.
Presidiu o Pároco de Ovar, e fez judiciosas e tocantes reflexões sobre os Passos, na Igreja Matriz e nas Capelas do Encontro (de Jesus com sua Mãe) e do Calvário, o Capelão Militar Padre Benjamim de Sousa e Silva (foto), que desde há 21 anos dá a sua colaboração dedicada à Paróquia de Ovar.








Tomaram parte, como é habitual, o Coral Sacro do Orfeão de Ovar, que cantou o Miserere (na Igreja) e um cântico litúrgico Bajulans (em cada uma das monumentais Capelas dos Passos, que datam do século XVIII), a Filarmónica Ovarense, que executou marchas processionais, e a veterana Clara Maia, que interpretou, como Verónica, o expressivo motete “O Vos Omnes” (“Todos vós que passais no caminho parai e vede se há dor igual à minha”).
Acompanharam o préstito os Presidentes da Câmara, da Assembleia Municipal e da Junta de Freguesia, bem como grande número de fiéis e crianças com “encargos” referentes à Paixão de Cristo. Prestaram bons serviços vários agentes da PSP e diversos acólitos.TEXTO: jornal "João Semana", 1 de Março de 2009 - FOTOS: António Mendes Pinto, Fernando Pinto e Vítor Vaz.

3.2.10

SENHOR DOS PASSOS - 2008

Procissão do Senhor dos Passos em Ovar

Alguns milhares de pessoas assistiram, na tarde amena do passado Domingo, dia 2, à Procissão dos Passos, a segunda das Procissões Quaresmais que desde o século XVII se realizam na Paróquia de Ovar. As cerimónias iniciaram-se com uma Celebração da Palavra, presidida pelo Pároco, e em que Frei Luís Guimarães, sacerdote Capuchinho de Barcelos, fez a primeira das suas três intervenções, comentando a postura de algumas figuras da Paixão de Cristo, tais como Pedro, Judas e Pilatos, e sensibilizando os presentes para a importância deste acto de fé, em que os andores do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores [na foto] iriam protagonizar, através das ruas da cidade, o drama da Paixão de Cristo.
No sermão junto ao Passo do Encontro (na Rua Alexandre Herculano), Frei Luís falou da importância da família cristã na sociedade, focando o exemplo da família de Nazaré, e lembrou as palavras de Nossa Senhora nas Bodas de Caná, quando disse: - “Fazei o que Ele vos disser”. Junto ao Passo da Verónica, Clara Maia entoou o tradicional “O vos omnes”.
Na Capela do Calvário, o pregador convidado falou da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus e frisou, com a mesma veemência que usou 15 dias antes na saída da Procissão dos Terceiros, que a nossa Fé não pode ser uma fé centrada num Deus morto, mas sim num Deus vivo, porque Cristo ressuscitou, e tem lugar em cada um de nós, pois quem acredita nele também será ressuscitado.
Como acontece todos os anos, o Orfeão de Ovar colaborou, cantando no início da Celebração da Palavra o cântico “Miserere”, e nas sete Capelas dos Passos (incluindo a da Igreja e a do Calvário), o “Bajulans”.
Abriam o cortejo religioso o Agrupamento de Escuteiros de Ovar e as Irmandades do Santíssimo da Paróquia de S. João de Ovar e S. Cristóvão.
Atrás do andor do Senhor dos Passos seguiam os Presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal, respectivamente, Dr. Manuel Malícia e Dr. Manuel Oliveira, e o Presidente da Junta, Prof. Manuel Barbosa, seguido do Dr. Manuel Oliveira Dias, Provedor da Santa Casa da Misericórdia, ladeado por outros dois elementos da Irmandade desta instituição. À frente do andor incorporaram-se os irmãos da Irmandade dos Passos, acompanhados pelo seu presidente, Joaquim Costa.
Merecem uma palavra de louvor os Irmãos da Ordem Terceira que, uma vez mais, colaboraram de uma forma excelente, com o Pároco, a Confraria e as zeladoras dos Passos, na organização da Procissão.

É de salientar o ambiente de silêncio e de recolhimento que se notou ao longo de todo o percurso, e o cuidado havido por parte dos serviços camarários e da PSP em manterem libertas de estacionamento e de trânsito as respectivas ruas. As Procissões Quaresmais de Ovar, um património religioso que vem do século XVII, continuam a ser uma marca significativa no itinerário quaresmal do povo vareiro. As próximas terão lugar em 5.ª e em 6.ª feira Santa, após as celebrações litúrgicas da Ceia Pascal (20h00) e da Morte do Senhor (19h00). 
TEXTO: António Mendes Pinto/jornal "João Semana" (15/3/2008) - FOTO: Fernando Pinto