14.3.10

SENHOR DOS PASSOS - 2010

Passos de Ovar e os "calvários" de hoje


A manhã serena e cálida fazia prever uma tarde tranquila, pré-primaveril. Assim veio a acontecer, com o senão da presença, já proverbial nos dias dos Passos, de um vento suave mas persistente.
Os forasteiros foram chegando, juntando-se aos devotos vareiros que rumavam em direcção à Igreja, para o primeiro sermão da tarde.
Na Matriz, regurgitando de fiéis, destacavam-se, em pequenos grupos, as autoridades cívicas locais – os Presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal e o Presidente da Junta –, as Confrarias dos Passos de Ovar e de Válega, as Irmandades do Santíssimo de S. Cristóvão e de S. João e a da Santa Casa da Misericórdia, a Direcção Nacional das Ordens Terceiras Franciscanas (com representantes de Barcelos, Algarve, Lisboa e Ovar), e o Agrupamento de Escuteiros.


Presidiu às cerimónias o Pároco local, Padre Manuel Pires Bastos, acompanhado pelo Vigário da Vara e Pároco de S. Vicente de Pereira e de S. João de Ovar , P.e Augusto Silva, bem como pelo Diácono António Poças, que proferiu os três sermões tradicionais – do Pretório, do Encontro e do Calvário.
Partindo de um trecho da carta de S. Paulo aos Romanos, em que se fala do amor misericordioso que Deus quis partilhar com os homens através da missão redentora de Jesus Cristo, injustamente condenado à morte, e citando o testemunho de Maria, sua Mãe, que o acompanhou no caminho doloroso do Calvário, o orador procurou confrontar-se e confrontar os ouvintes com os grandes dramas do tempo actual, em que há vítimas inocentes, para quem tarda uma resposta reparadora da justiça dos homens.


“Para que esta Justiça se realize, Cristo quer que os discípulos desta hora confirmem com a fé e com as obras a validade e actualidade do Seu Sacrifício Redentor. Isso, caros amigos e irmãos, é tarefa indeclinável de cada um de nós. Não se espera outra coisa dos discípulos!”, concluiu o Diácono Poças.

Andor de Nossa Senhora das Dores
Para além da incorporação das diversas Confrarias e de outros participantes com as respectivas insígnias, do Orfeão de Ovar e da “Verónica” Clara Maia, tomou parte, no préstito religioso, após os elementos da Banda Ovarense, um grande número de fiéis.
Refira-se o excelente apoio dado à Irmandade dos Passos pelos responsáveis da Ordem Terceira de S. Francisco na montagem dos andores e na organização da Procissão, bem como o bom gosto dos enfeites por parte das zeladoras, que se vão mantendo, ao longo dos anos, nas respectivas capelas, quase sempre em cadeia geracional. TEXTO: Padre Manuel Pires Bastos, jornal "João Semana" (15/03/2010) - FOTOS do jornalista Fernando Pinto e de Vítor Vaz.


PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS
A Paixão de Cristo no nosso tempo

Na radiosa tarde do passado Domingo, saiu para as ruas da Cidade de Ovar a Procissão do Senhor dos Passos, repetindo-se a alusão do Pe. Manuel Lírio – Subsídios para a história de Ovar: Passos. Ovar: Imprensa Pátria, 1922, p.38.
"Nestas cercanias de algumas léguas não se fazia coisa egual. A concorrência de forasteiros foi sempre notavel e por toda a parte se espalhou a fama de grandiosa, desta festividade.
O préstito era majestoso, na verdade. Encorporava-se nêle tudo o que de mais distincto havia na vila."



Este ano a pregação dos habituais três Sermões, na Igreja, no Passo do Encontro e na Capela do Calvário, esteve a cargo do Diácono António Poças, que no seu estilo contundente nas mensagens traduzidas de um Evangelho sem subterfúgios, foi oportuno.
Na Igreja fez referência à realidade de haver muitos cristãos que continuam a fugir perante a exigência da fé. No Sermão junto à Capela do Passo do Encontro fez a ligação da Paixão de Cristo com os atentados mais mesquinhos à pessoa humana e lembrou que Jesus foi condenado por falar verdade e amar os oprimidos. Este orador, perante as milhares de pessoas concentradas ali ao redor das Imagens do Senhor dos Passos e da Senhora das Dores, pelas suas palavras parece ter pretendido dar a entender que o sofrimento de Cristo foi por causas remotas, causas actuais e por causas futuras. Este Diácono, que fala e escreve em estilo terra a terra, fez a “ponte” entre Jesus e os que clamam por justiça sem a ela terem acesso, os desempregados, as crianças vítimas de violações, os jovens, as vítimas da corrupção e dos governos, das pessoas ricas que gastam fortunas enquanto tantos passam mal.


Na Capela do Calvário, o Diácono António Poças falou aos sacerdotes e leigos apelando para que a Jesus se retribua pelo seu sofrimento, com amor aos outros, a sua entrega pelos homens, sendo Cristo a nossa Páscoa. E como Ele disse: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Se vos amardes o mundo há-de reconhecer que sois meus discípulos.
Finalizado o terceiro Sermão desta Procissão, Clara Maia repetiu o cântico da “Verónica” que cantou junto da Capela do Passo situado na Praça da República.
A Imagem da Senhora das Dores ficou na Capela do Calvário e a do Senhor dos Passos regressou em Procissão para a Igreja Matriz. No Pálio da Procissão iam o Pároco de Ovar e o Vigário da Vara de Espinho/Ovar, Padre Augusto Silva.


Participaram na Procissão o Presidente da Câmara Municipal, Manuel Oliveira, o Presidente da Assembleia Municipal, Manuel Malícia, o Presidente da Junta de Freguesia, Joaquim Barbosa, a Irmandade dos Passos de Ovar, e a de Válega, a Confraria do Santíssimo de S. João e a de Ovar, e também a Confraria do Calvário de Arada e a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Ovar.
O Grupo Sacro do Orfeão de Ovar cantou na Igreja Matriz, nas cinco Capelas dos Passos e na Capela do Calvário, contribuindo, como sempre, na arte do canto, para uma solenidade própria para esta festividade.
Também a Banda Filarmónica Ovarense, como é costume, deu o seu brilho musical neste préstito tão majestoso. TEXTO E FOTOS: António Mendes Pinto ("Praça Pública", 16/03/2010)

SENHOR DOS PASSOS EM OVAR
Encontro da fé com a arte

Um pouco por todo o país, com maior incidência no Norte, realiza-se por esta altura a tradicional procissão do Senhor dos Passos. Como esta devoção, em terras vareiras, remonta ao século XV, e ainda hoje a sua expressão artística é admirada, a Câmara Municipal, em articulação com a Paróquia de Ovar, a Ordem Terceira de S. Francisco e a Irmandade dos Passos vão oferecer, a partir do dia 16 de Abril, percursos turísticos às Capelas dos Passos, consideradas desde 1949, “Património de Interesse Público”. As visitas, de manhã e de tarde, começam na Igreja Matriz, terminando na Casa-Museu da Ordem Terceira.

Capelas dos Passos
Estas capelas de pedra e cal, como lembra o P.e Manuel Lírio na sua obra “Os Passos” foram começadas a construir em 1748 e estavam prontas de trolharia e talha em 1755.
O Passo do Pretório, a primeira das sete capelas, situa-se na Igreja Matriz; o do Senhor caído por terra, no largo do Palácio da Justiça; o do Encontro, na rua Alexandre Herculano; o do Cireneu no Largo do Cruzeiro, na rua Dr. José Falcão; o da Verónica, na praça do Município; o das Filhas de Jerusalém, no largo Mouzinho de Albuquerque (antigo Largo de S. Thomé); e o do Calvário, que se encontra na grande capela com o mesmo nome, pode ser visitado no actual Largo dos Combatentes.
Este património vareiro, que tem sofrido alguns restauros ao longo dos anos, necessita de ser valorizado e partilhado, para que não caia no esquecimento, pois, para o Mestre Teixeira Lopes, a escultura do Cristo mais bela da Península Ibérica encontra-se na capela final, a do Calvário. Também A. Nogueira Gonçalves, no seu “Inventário Artístico de Portugal” (1981), comunga de opinião semelhante, afirmando que no conjunto escultórico do Calvário, “destaca-se a figura de Cristo-crucificado. Sendo a espécie de imaginária que o artífice mais frequentemente produzira, conseguiu aqui, posto que sempre dentro do seu nível, uma obra de notar: corpo dramaticamente movido, músculos fortemente acentuados, volumes dispostos mais por instinto que por conhecimento deles, a vincar o conteúdo trágico da representação.”

Irmandade dos Passos
Alberto Sousa Lamy, na sua “Monografia de Ovar”, diz-nos que a Irmandade dos Passos é a mais antiga e a mais importante irmandade de Ovar, tendo sido fundada “com toda a certeza, antes de 1646, ano em que uma bula do papa Jerónimo X, de 23 de Novembro, lhe concedeu várias indulgências.”
Actualmente, a mesa da Irmandade, em reorganização, aguarda que os católicos de Ovar participem mais activamente na suas iniciativas e na defesa do seu património. Os ovarenses, para além do Carnaval, do pão-de-ló, dos azulejos e do Cantar os Reis têm outros tesouros escondidos no seu concelho: os Passos são sete dessas maravilhas a (re)visitar, para que todos possam escutar essa espécie de “diálogo entre a Fé e a Arte”, como escreveu o P.e Manuel Pires Bastos na revista “Reis 1999”, cuja leitura aconselhamos vivamente.TEXTO E FOTOS: Fernando Pinto, jornal "João Semana" (15 de Março de 2010)

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4 comentários:

  1. Este trabalho está magnífico continuem assim.
    Um grande abraço para ambos.

    P.S. Fernando já adicionei mais fotos no Flickr deste ano se quizer dar uma olhada e retirar algumas estejam a vontade.

    Um Abraço Vítor Vaz.

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  2. Obrigado, amigo Vítor! É claro que vamos colocar as suas fotos... São lindíssimas! Abraço

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  3. Desde já muito obrigado por contribuir para este espaço, tenho mais algumas fotos de 2007 ou 2008 não tenho certeza do ano correcto e encontrei em casa do meu Pai uma do final dos anos 70 principios de 80 talvez entre 1977 a 1980 tenho que a enviar para aí.

    Obrigado e um grande Abraço...Vítor Vaz

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